Por que escolhi a Psicologia?

Eu sempre tive uma afinidade imensa com o cuidar. Desde criança instintivamente eu me oferecia a cuidar, principalmente de outras crianças. 

Mas a grande habilidade que chamava atenção mesmo era o tempo que eu despendia, desde os meus 7, 8 anos em conversas com os adultos. 

Começava pelos jantares toda sexta-feira com meus pais, no nosso restaurante favorito, na zona norte de SP, na conhecida Av. Nova. Por lá passávamos 4, 5, 6 horas apenas conversando, talvez comer fosse apenas um pretexto, para nos alimentarmos de nós, de trocas. Eu sobre a escola, amigos e eles sobre a empresa e família. 

Na mesma época, eu ia dormir na casa das amigas e passava horas a fio sentada a mesa com os pais delas, trocando ideias, conversando, elas acabavam indo brincar e eu ficava lá absorvendo o tanto que eles podiam me agregar. Eu ficava fascinada. De forma, inata eu elaborava tudo aquilo e transformava em conhecimento para mim. E mesmo quando eram histórias tristes ou ruins, eu já conseguia separar, me desconectar daquilo.

Mas claro que por todo percurso existem desafios e me vi em quadros depressivos em diversos momentos da vida, e essa percepção começou mesmo na adolescência. Tinha períodos que uma tristeza sem fim, cansaço, e a vontade do isolamento social tomava conta de mim. E por eu ser muito falante e amar a conexão entre pessoas isso era deveras prejudicial para mim e causava estranheza nos que me cercavam e até algumas perdas, especialmente de amigos pelo caminho.

Mas com todo amor que eu tinha de familiares e através dos recursos que eu fui criando por meio daqueles infindáveis diálogos que eu tive ao longo dos anos, hoje eu vejo que me ajudaram e permitiram que eu começasse a trilha o caminho que levaria até a psicologia.

Além dos processos psicoterápicos, eu pedi para passar por um teste vocacional, pois havia certa insegurança tanto na escolha profissional, quanto em outros momentos da minha vida. Com esse teste e com algumas “validações” sociais, que muitos aspirantes a psicólogo ouve, assim como “como você consegue ouvir a tantas pessoas e não julgar? Ou não contar para ninguém?”, “como consegue ouvir tudo isso e não ficar triste”, ou até mesmo, “como consegue passar horas ouvindo sobre o outro e não falar sobre si?”, entre outras indagações.

E assim, tomei a primeira decisão que mudaria totalmente o curso da minha vida e me inscrevi em todos os vestibulares do fim de 2007 para a tão sonhada Psicologia. 

E em 2008 ingressei na Psicologia da PUC começando minha trajetória…

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